sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Guilherme

Guilherme sentia-se só, para além de só estava triste, não gostava de magoar pessoas, mas também não gostava de ser magoado. Solidão : Uma consequência do desamor. E lembrava o poema que tinha escrito: “ Quem me socorre aqui com o recado de uma lágrima, quando os meus olhos incrédulos de distância te procuram?Quem me socorre aqui? Disse o poeta: Quem me socorre qgora aqui meu amor clandestino desta manhã que não existe, porque as manhãs só existem quando o teu corpo está presente? Frio,medo,solidão. Guilherme, Luana, Marta, Inês, Luna, tantos anónimos, tantos sem conta à procura do calor de um carinho de um gesto de partilha, tantos desencontros , tantos equívocos… Guilherme pensava agora que os desencontros são uma constante quando as pessoas se escondem atrás do medo, da negação, porque o desconhecimento é muito mais forte e confortável do que o medo do reconhecimento. Procurava, e quando encontrava, negava, fugia, desconhecia deliberadamente. Seres de hoje, seres de ontem, seres de amanhã, a história repete-se. Guilherme tinha uma vida repleta e cheia, mas com um vazio imenso. Solidão.