quinta-feira, 23 de julho de 2009

A dor

Post de um Anónimo : "Quanta coragem é preciso ter para continuar a viver depois de se perder um filho? Há anos que me faço esta pergunta. Nunca soube responder, nunca ninguém me respondeu, nunca tive sequer a coragem de perguntar. Há anos que choro a perda de um filho que não foi meu, mas era filho de alguém, sobrinho de alguém, primo de alguém, neto de alguém, amigo de alguém. A perda é o pior dos sentimentos. Cobardia? Talvez eu seja cobarde porque nunca tive a coragem de reconfortar com palavras uma perda imesuravel. Fui cobarde não o fazer por saber que as minhas palavras nunca seriam suficientes. Apenas sofri em silêncio a dôr de quem amo, continuo a sofrer impotentemente sinto-te cá dentro. Achei que era respeito. Não falar, respeitando a dôr. Para mim, o silêncio vale muitas vezes mais dos que as palavras, porque as palavras quando são demasiado verbalizadas perdem o sentido, a importância , tornam-se repetitivas e efémeras. Não tive espaço para dar o meu ombro a quem precisava. Foi-me negado pelo silêncio. E eu respeitei. Poderia dizer que daria a minha vida para que ele não partisse. E daria. Não o soube fazer, julguei que estava explicito. Julguei que quem julgava conhecer-me saberia que a minha dor longe a anos luz da sua, também era grande , enorme, não sei quantificar. Porque sei que sou demasiado cobarde, não teria a coragem de permanecer aqui para além de um filho. És corajoso. És valente. Sempre foste o meu idolo. Nunca te o disse, mas pensava que o percebias. E tentava de forma desajeitada agradar-te, queria que te orgulhasses de mim. Nunca o percebeste, nunca o notaste que eu sei. Por isso não me conheces. És fruto também daquilo que te ensinaram. Não sei quanto é preciso de coragem para viver para além de um filho. Não sei. Perdão. Daria a minha vida. Perdão. Diria mil palavras. Perdão. Repetiria tudo de novo. Mas tudo seria banal e perderia o sentido. Perdão. Não sei ser melhor, juro-te , a ti que nunca me vais ler porque nunca me conheceste e não sabes o que sou quem sou nem como cresci, juro-te que tentei ser melhor, sempre melhor, apesar de tudo o que vivemos, apesar da maldade que nos espreitou na infancia, apesar de nós os três termos sido victimas da ignorância e da crueldade da vida. Juro-te que em cada acto, cada escolha, cada opção de vida, foi sempre para ser melhor, e nunca para ser igual ao que me rodeava. Sei que aceitas a vida tal como te foi apresentada, conformas-te com o sofrimento e não consegues nem nunca conseguiste chegar a mim. Nem tu nem ninguém, mas não queiras saber, já sofreste demais. Eu já arrumei as minhas gavetas, já me perdoei. Não foi por culpa minha. Eu era uma menina. Mas falta-me algo, sempre faltou, e por me faltar tenho procurado a vida inteira um aconchego para o meu coração. Não fui amada por mim, por aquilo que sou. E sinto falta disso. Apenas queria ser Amada. Só isso. Sempre protegi alguem. Preciso de um amor que me proteja. Perdão se te decepcionei. perdão se a vida nos separou. Perdão por não saber amar-te mais, nem tanto quanto mereces, perdão por não ser motivo de orgulho para ti. Estou ainda a tentar ser melhor. Ninguém me ensinou, fui aprendendo, ainda estou nesse processo, acho que até ao fim da minha vida. E os sentimentos são muito mais importantes do que tudo o resto. O que interessa tudo o resto quando a Alma dói e não tem cura? Como se faz para apesar de tudo se ter a coragem de ser melhor? Onde se vai buscar a bondade e a grandiosidade para isso ? Sei que não me sabes responder. Tu és tu e eu sou eu. Tu não me conheces. Aliás nós os três não nos conhecemos.Ninguém nos deu tempo para isso. Nem espaço. estavamos todos ocupados a tomar conta sempre de alguém. E ninguém tomou conta de nós. Ontem disseste que nunca falo, que nunca me exprimo, que não eras obrigado a saber. Pois não, tens razão, mas eu tentei , e mais do que uma vez. Não te lembras pois não? Não te levo a mal. Estavas ocupado com o teu sofrimento que é tão grande que nem eu que tento sempre ser ainda maior, consegui medi-lo. Mas tens razão, não me exprimo a não ser para o papel, agora para um teclado, um blogue anónimo e ninguém sabe quem sou. Não é para se saber. É a minha forma de dizer o que vai na Alma, não sei fazer de outra maneira. Talvez quisesses dizer que não me dou. Eu acho que me dou, muito, mas mesmo assim nunca é suficiente para quem recebe. Mas sim tenho medo de dar demais e sofrer depois. No entanto mesmo assim construo castelos no ar, aspiro ao amor que não me souberam dar na tentativa de esquecer as feridas da minha Alma.Sabes ? Não me leves a mal se não mostro o que sinto, não posso, tenho sempre que ter este ar de quem é uma rocha, uma montanha, este ar de com quem não se passa nada, tenho que me defender e não mostrar a minha vulnerabilidade, sabes porquê? Porque sempre atraí o mal para mim, e a vida ensinou-me que não posso deixar, a vida ensinou-me que não devo mostrar... A nós os três sempre foi exigido que fossemos fortes e duros, como queres agora que eu tivesse sido diferente? Diz-me ? Perdoa-me se falo na minha dor sabendo que tens uma dor tão grande dentro de ti. Uma dor imesuravel, uma dor para além do universo, uma dor com que só os Grandes conseguem viver. E aqui estou eu a queixar-me não sei do quê? Como se eu fosse alguém, como se o que vivi fosse suficientemente importante. E sinto-me de novo Pequenina E desprotegida Perdoa-me por não saber ser tão Grande. Juro que tentei, juro que tento todos os dias."

Herrimina

Herrimina palavra basca mais parecida com a palavra saudade em português. A Saudade é a presença de uma ausência na nossa Alma. Sinto Herrimina da infância que não tive.

Alma

Sangra-me a Alma.