Há quantos anos não passas o último dia do Ano de forma simples?
Simplesmente? com simplicidade? Sabes o que é? Sem frescuras! Começar o serão na cozinha, com um copo de vinho na mão para aquecer a Alma, reforçar os laços, sejam eles quais forem, cada um preparando uma iguaria, fazendo o melhor que sabe para dar de quem recebe. Sem valorizar o espaço, ou o custo, apenas na simplicidade, porque o importante é o pormenor , os momentos especiais são aqueles que vives dando o máximo de ti quando ninguém te exige e tu dás e recebes :
Simplesmente!
"És tão linda por dentro como por fora."
Existe sabias?
Foi o jantar mais barato e criativo que encontrei, que depois de feitas as contas vai certamente rentabilizar milhões. O custo da simplicidade é lucrativo, admirar-te-ías sabes ?
Este Ano à semelhança dos outros não vou comprar nenhum vestido de lantejoulas, nem com brilhantes, não vou jantar num qualquer espaço desprovido de calor humano, onde brilham as roupas de marca, se passeiam corpos “feitos” de coisa nenhuma, onde a comida é confeccionada sem Alma, onde as candidatas a misses e os candidatos a veados se pavoneiam,
Mas...
Vou vestir as minhas calças de ganga e se não tiver uma camisa para vestir, vestirei o que apanhar à mão depois de tentar 30 camisolas básicas, acabarei por vestir a branca ou a preta, aquela que quando a dispo tem todos os contornos do meu corpo. Talvez ponha um gorro na minha cabeça loira, deixe a descoberto a minha madeixa branca. Aquela que nasceu comigo, a minha avó dizia que Deus me tinha assinalado.
Mas apesar da simplicidade, com simplicidade vou embelezar o meu rosto, para que os meus olhos brilhem ainda mais, nessa noite à volta de um tacho, ou de um prato, com um copo de vinho tinto ( que me dizes de Cryseia, ou Quinta do Côtto Reserva ?)
Com simplicidade! Queres cozinhar para mim, que eu encho-te o copo?
Depois partilhamos as tuas e as minhas qualidades gastronómicas , e quando chegar a meia noite, dou-te um abraço do teu tamanho, tu pegas-me ao colo e fazes-me sentir de novo, simplesmente : Menina.
Pegamos no copo ( o do tinto) e aquecêmo-lo à lareira, ele sobe, eventualmente mais um grau, e aquece-nos a alma, depois podemos pegar nele, levá-lo connosco até à baixa da cidade, percorremos a calçada, trocamos histórias, pedaços de vidas, umas bem outras mal contadas, outras bem ou mal vividas, tu falas-me das tuas viagens, eu ouço e delicio-me, tu aprendes que há coisas tão simples que não se procuram, apenas acontecem.
Não respondas com uma pergunta, isso sou eu que habitualmente faço.
Há coisas tão insólitas que só nos acontecem uma vez na vida.
Queres?