sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Frio
"O frio chegou com a tua ausência, veio com as mãos vazias do teu hálito, silêncio vegetal das tuas gargalhadas. Antigamente quando o amôr era livre e se debruçava no colo das begónias, não existia o frio, porque o frio é uma invenção da solidão, uma consequência do desamor. Quem me socorre aqui com o recado de uma lágrima, quando os meus olhos incrédulos de distância te procuram? Esta manhã peguei numa criança pela mão e fui passear com ela junto ao rio. Depois chamei-lhe o teu nome e a criança cresceu. Falou com a tua voz e disse das gaivotas os arabescos que só tu conheces. Por instantes não senti o frio da tua ausência. Por instantes voltei a reconhecer o sulco dos navios, o arôma dos jardins, o vôo da gaivota que viaja na ternura dos teus olhos. Quem me socorre aqui ? Disse o poeta: Quem me socorre agora aqui, meu amôr clandestino desta manhã que não existe, porque as manhãs só existem quando o teu corpo está presente? Frio. O frio é uma constante quando dois corpos se separam. Principalmente quando se separam dois corpos que se amam. Ouço dizer ás pessoas lá fora que a noite chegou. Acredito. E sem ti, tanto me faz que a noite chegue, suicida da escuridão."
Preciso do teu colo.
Tenho tantas saudades tuas. Sempre que eu precisava de um carinho, tu vinhas a pé, mais ou menos dois quilómetros por ruelas tortas, para me abraçares, afagares a cabeça e dizias: “ Não chores miguinha, amanhã isso está resolvido”. Estou a chorar afaga-me a cabeça com as tuas mãos branquinhas , os teus dedos retorcidos pelo tempo, dá-me um sorriso que me alegre a Alma, tenho tantas saudades da infância que não tive. Tenho tantas saudades de te ver avançar para mim com um sorriso, sempre que eu precisava tu parecias adivinhavar, e dizias : “Não chores miguinha, amanhã está resolvido, toma...” E resolvia-se . Graças a ti. O meu coração está tão SÓ! Afaga-me a cabeça, deixa-me chorar no teu colo, e não digas nada como sempre fazias, eu choro em silêncio até adormecer … Está bem ? Mas… tu já não estás cá , e eu vou chorar toda a noite, sozinha, e não vou conseguir adormecer… Quando foste embora eu já era mãe há tanto tempo , desde então nunca mais tive um ombro, um colo, ensinaste-me a dar colo, e eu dei, juro que dei... Mas não sei porquê acham sempre que eu não preciso, e nunca mais ninguém me deu depois de ti . Que frio Avó...
9 de Março de 2009
Hoje sangram-me os pés. Hoje dói-me a Alma. Fui sempre um lutador Portanto uma luta a mais... Odiaria que a Morte me vendasse os olhos E me obrigasse a passar... rastejando.
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