terça-feira, 21 de outubro de 2008

Escarificar!!!

Huf!!! Acabei. É noite e acabei. Banhito, roupa leve, ou nua? Talvez nua. O descanso do guerreiro. Escarificar: “Cortar superficialmente com instrumento cirúrgico a pele ou as mucosas” Escarificador: “ Máquina agrícola para cortar verticalmente o terreno sem o levantar” Escarifiquei hoje. Escarifiquei o jardim sem levantar o terreno, mas levantando tanto pó, tanto pó que mais parecia que estava a esgravatar a pedreira ali ao lado. E as minhas narinas, os meus olhos, as minhas orelhas, os meus poros, e todos aqueles que não tenho ficaram superficialmente “entranhados” de pó do meu jardim. Não há céu como o meu. Mas também não há jardim como o meu. Mata-me este jardim. Lider. Eu sou uma líder. Lider não líder de “lidl” porque é que a maioria dos utilizadores do Lidl Lhe chama líder??? Nunca percebi há anos que este espaço existe em Portugal… Irra que são burros, teimosos , ignorantes, basta soletrar “L I D L”. Adiante… Não encontrei elástico e agarrei no lápis que tinha em cima da mesa do quarto, que tem o PC, que tem folhas de papel cheias de letras, que tem CD’S, que tem tabaco, que tem todas as chaves da casa ( e são muitas), que tem uma embalagem de iogurte vazia, que tem contas para pagar, mas que não tem um elástico para o cabelo , e usei um lápis para prender o cabelo. Propus-me ao trabalho de escarificar cirurgicamente a terra do meu jardim, tal como escrevo cirurgicamente sobre tudo aquilo que todos os dias vejo, vivo, ouço e com o pensamento revolto á velocidade da luz ia “escrevendo” mais assuntos do dia para passar para o PC. Temos que esquecer os tristes jornais que lemos logo de manhã ao pequeno almoço, mas lemos, e lemos porque é feio tomar o pequeno almoço olhando para quem passa, ou porque temos que ler a previsão do nosso signo astrológico ( não vá o diabo tecê-las), temos que esquecer que algures no mundo está a nossa alma gémea, mas que ela foi preguiçosa e não nos procurou ( tal como nós não o fizemos) e queixamo-nos da sorte má de não sermos amados, quando não sabemos amar sequer. Para esquecer “escrevo” e às vezes… escarifico. Mas temos que esquecer sobretudo as contas para pagar, temos que esquecer que a realidade volta de novo, e que os problemas amadurecem às vezes, só às vezes, por isso que remédio ,temos nós de procurar as soluções para eles. Porque isto de deixar o fruto amadurecer para depois o colher é uma grandessíssima de uma treta de quem não tem problemas para resolver. Ou já compra tudo feito. “ Felizes dos tolos que não sabem o que dizem “ já dizia a minha avó. Lider, sou uma líder dizia eu? Pois sou, parece que a líder neste momento em vez de liderar quem escarifique e se encha de pó desde a narina até ao dedo mindinho do pé, tem que liderar a máquina escarificadora e cirurgicamente cortar, e cortar ainda. Porra! Que calor! O sol queima-me a pele, e eu lidero aquela maldita máquina pois não tenho outra solução, tentei que a relva amadurecesse para depois a colher como se faz aos frutos e aos problemas e afinal a relva ia indo para o carago. Ah pois é… Se quero trabalho feito que remédio senão fazê-lo eu. P… de vida porque não nasci rica ? Afinal tanta liderança e o gajo da manutenção nunca tem tempo para cortar a p… da relva. Já ando a cortar relva há várias semanas e ando-me a passar. Festa? Disseste tu ? Sim uma festa no meio do jardim de relva cortada, mas só tu e eu porque mais que dois é uma multidão e aqui a miúda é para a frente mas não tanto assim. E tu concordas? Claro! Aqui a miúda é egoísta não gosta muita de partilhar certas coisas. Só aquelas que têm mesmo que ser, porque não há nada a fazer . A miúda é altiva e atractiva, mas só isso, reveste-se de segurança de atitude e de pose, para se defender dos olhares dos mirones que ao passarem por ela, olham mas não tocam, porque só toca quem ela deixa, quem não se baba sobretudo, só por isso. Porque ela sabe o que vale. Sabe mas quer que lhe digas mesmo assim, e sobretudo por isso. Porque nem sempre aquilo que parece é, e ela é isso tudo. Sabe mas precisa que lhe digas, que lhe faças sentir, porque a insegurança é o maior dos defeitos dos homens e das mulheres, porque a insegurança provoca o medo e o medo faz o ser humano errar.E pressionar. E a miúda quer ouvir todas as lindas palavras que tens para lhe dizer, porque é bom sentirmo-nos assim, porque as palavras , os sorrisos e os carinhos ainda são de graça, e não custa receber quanto mais dar. Olhei-me ao espelho de raspão e dei uma gargalhada, a minha pele morena estava castanha da cor do barro, e pensei que se lhe pusesse água ficava com a pele em tom de chocolate com leite, e pensei se gostarias de me saboreares com chocolate no corpo? Fiquei com fome. Costumo comer chocolates quando estou triste, para não chorar. Sou uma miúda igual às outras… Para não chorar como chocolates e é tão compensador. No dia seguinte penalizo-me por ter ganho uns gramas a mais que nem sequer se vêem. Mas se Deus não tivesse criado a Mulher isto também não tinha piada não é ? Que seria de vocês sem nós para se divertirem não é ? Eu disse divertir de rir… Certo? Certo! Mas não penses que este certo? É porque ache que vocês se divertem connosco. Não eu acho que nós nos divertimos todos juntos . Ou não ? Quem se diverte com quem ? Eu gosto de achar que nos vamos divertir muito porque eu tenho sentido de humor e odiaria que não o tivesses. Li uma vez que os nativos do meu signo não gostam que se riam deles. Não acho, eu rio, e faço rir, mas não gosto de abusos… Lá está afinal o mau feitio… Calma! Eu tenho bom feitio. Podes gozar comigo que eu deixo.Não vês que me estás a encher de pó e eu ainda me rio da minha figura? Mas nunca me subestimem, que eu mordo. Ao olhar para o espelho verifiquei que todos os meus poros estavam tapados com pó castanho mas que tens razão apesar de tudo estava bonita, com o elástico a prender-me o cabelo , sensual , e suja, mas sensual, de calção branco da cor da terra que cirurgicamente tinha cortado , pus a língua de fora e fiz uma careta, queria que estivesses ali e me visses, queria atirar-me para cima de ti e “pintar-te” de castanho, encher-te de beijos , arrastar-te para o jardim que cirurgicamente tinha cortado e : E quero-te beijar relva. Quero-te bem cortada, para sentir a tua frescura na minha pele, depois de molhar-te com a mangueira vou secar-te com o meu corpo, vou envolver-me em ti e secar-te relva. E tu relva cirurgicamente bem cortada, olhas para o meu céu, habitado pelas estrelas mais bonitas que eu conheço, tu relva eu virava-te do avesso, molhava-te, e molhava-te de novo para depois te enxugar com o meu corpo enrolado em ti. Há muito que te olho, te observo, e espero o momento certo para te percorrer de uma ponta à outra, e envolver –me em ti relva , fresca, relva molhada. E pego nas minhas e nas tuas palavras, nas que não disseste mas que eu ouvi e começo a teclar para as pôr on-line. Num espaço que quem lê não me conhece, tal como quem acha conhecer-me é ignorante, pelo conhecimento que não lhe dou. Porque olhar-me de longe é possível, chegar perto e ler-me é outra. Porque eu sei que ninguém sabe que não sei. E é por isso que queria viver eternamente, porque estou só agora a crescer, só agora a aprender, e tenho tanta necessidade de o fazer. Os dias passam depressa demais e tenho medo de não ter tempo para perceber, quero viver mais e mais ainda, para sentir, cheirar, ouvir tudo o que me rodeia. Porque ouvir os pássaros que cantam de noite no meu jardim é só para mim. Porque contar as estrelas do meu céu é só para mim. Porque não há relva como a minha cortada cirurgicamente num dia de verão é só para mim . Porque ter o corpo sujo cor de chocolate com leite e mesmo assim ouvir-te dizer : és muito bonita é só para mim. Porque um dia alguém me disse : “Bem hajas por seres quem és, abençoado quem é da altura do que vê e não do que mede.” Porque os homens são de facto da altura dos seus sonhos, e eu quero viver eternamente para poder sonhar e… Escrever. Construir. Dar. E receber. A minha missão está cumprida, escarifiquei, sem ralhar com o escarificador por não o ter feito a seu tempo, fi-lo porque afinal um líder tem também que pôr mãos à obra para se inteirar dos assuntos in-loco, senti-me linda apesar de suja de pó cor de chocolate com leite, sensual apesar de molhada e quase me enrolei em ti para me refrescar. Para ti Relva do meu Jardim.