Tenho cada vez menos paciência para conversas da treta, na verdade nunca tive, talvez por isso partilhe aquele que é o meu espaço com tão pouca gente. Gente. Gente pode ser pejorativo ou não dependendo do contexto em que se insere.
Ontem estava alegre, muito alegre, diz quem me conhece que tenho um sorriso que não me cabe na cara. Cada gargalhada que dou é sem dúvida com vontade, porque não faço nada obrigada ou por favor. Sou daquelas pessoas cujos olhos e expressões transparecem as suas emoções, há muito tempo que desisti de fazer de conta, porque mesmo quando me esforçava, o meu sorriso, os meus olhos ou o meu rosto atraiçoavam-me. E encontrava-me inevitavelmente perante o óbvio, ou seja , explicar porquê estar a fazer de conta se tudo em mim dizia o contrário.
Dizem que sou uma pessoa diferente, diferente...
Depois há os que se regem por bitolas ou estereótipos , e partem do principio que devo ser alguma “dondoca” cheia de plásticas a meter inveja á Manuela Moura Guedes, ou tal VIP de meia idade que está na berra no momento , disposta a uma noite insípida em troca de lambidelas e saliva ( depois o pior é que já nem a saliva está no seguro) . Mas não sou e por acaso, mas só por acaso, sou tudo o que se vê e muito mais.
O muito mais é o que não revelo, e agora lembrei do O.Montenegro que na sua metade consegue definir muitos de nós por este mundo fora. Muitos de nós somos apenas metade e percam a esperança de ser únicos aqueles que se acham especiais ou superiores a tantas metades que Deus criou e a nossa Mãezinha teve depois de muitas horas de sofrimento.
Mas não sou transparente. Um conhecido ontem, que por sinal me pôs mal disposta e acabou por me estragar a noite, e pelos vistos continua o azedume, existem coisas que me tiram do sério como o sarcasmo, a arrogância e o pretensiosismo, dizia esse conhecido, que é transparente. A transparência de que se queixava ontem no seu discurso tinha mais a ver com saias e saiotes e decotes e outros embrulhos em que se queria meter, do que com a “transparência” de que hoje afinal se deu conta que alguns sofrem.
A ironia e o sarcasmo é o forte das pessoas que não se amam a si próprias, e depois queixam-se e tornam-se azedas, medindo toda a gente pela mesma bitola. Ou das que de alguma forma foram mal amadas, mas…Os que não são transparentes não têm culpa disso.
Eu não sou transparente pela simples razão de que apenas sou visível para quem eu considere que tem nível para me ver. Não interessa a quantidade dos que me vêem, mas sim a qualidade da vista que tem.
Sou daquelas pessoas que tem tendência a procurar nos outros o que não têm, e insisto, insisto, teimosa que nem uma mula, (alguem me chamou pocahontas) procurando o famoso fundo especial aos outros, na realidade de vez em quando caio do cavalo porque afinal a imagem que criei não corresponde em nada á realidade.
Caio! E depois levanto-me!
Assim é a vida, para uns transparente, para outros é aos trambolhões, até deixarem de ser transparentes ….