sábado, 22 de maio de 2010

Parte de nada

Depois de um monologo entre mim e o poder , fiquei atónita. Quis falar mas o poder não deixou e eu rapidamente optei pelo silencio. O desacordo consentido porque silencioso. Para quê argumentar com quem não nos quer ouvir ou pior ainda só se ouve a si próprio. Fiquei chocada e triste. Chocada pelo descaramento, triste porque julgava ter ar , pelo menos ar de inteligente. Quase , durante o monologo cheguei à conclusão que sou tudo menos inteligente, mas rapidamente recuperei a auto estima e realizei que o descaramento não tem pejo em subestimar o seu semelhante. Quando não se tem argumentos é-se incoerente e reina-se assim mesmo.
A noite continuou e não foi para melhor, fui convidada para jantar, apenas conhecia os anfitriões, daquelas noites idílicas , jantar no jardim , piscina, gente, boa comida e melhor vinho.
Os ingredientes estavam lá.
Faltou o tempero.
Não me sinto parte de nada.
Chorei no regresso a casa. De raiva. Raiva de mim porque sabendo eu que não me sinto parte de nada porque insisto em tentar se não sei fazer de conta.
E de repente, parei de chorar, e sorri, porque me lembrei que afinal bebi uns copos de Tapada de Chaves , mergulhei vestida na piscina enrolada nos putos , mais uma vez foi no meu ambiente que as minhas gargalhadas se fizeram ouvir, mais uma vez foi nele que me libertei, brinquei,
simplesmente---
Não me sinto parte de nada
Hoje com os miúdos fui grande disse-me um Amigo, hoje, ontem e amanhã só se for com eles que me sinta parte de alguma coisa.

Junho está a chegar, não interessa, mais um que passa, vou fazer questão de medir o sentimento,se diminuiu, se estabilizou. Não tenho medidor para isso. Ainda fazes parte de alguma coisa que criei, ´sózinha, sem a tua ajuda, sem o teu conhecimento ou participação, criei, produzi e realizei a partir dessa noite. E tu única participação que tiveste foi teres-me ficado com um pedaço de Alma sem nunca te ter dado o corpo.

Não fazes parte de nada. Decidi que desaparecias, me libertava de ti, recuperava a minha Alma. Mas novamente não dei o corpo e sim uma parte da Alma que ainda tinha. E substitui-te por uma cópia, no mesmo dia um ano depois.Sabes que nessa noite, um ano depois ainda idealizei que me ligavas? Claro que não o fizeste, eras apenas uma personagem de uma história vivida por uma única personagem, não podias ter essa iniciativa, nem vontade própria.

Não fazes parte de nada, nem nunca sonhaste fazer. És apenas uma criação da minha Alma.

Deixa lá personagem, eu também não faço parte de nada. Somos duas Almas sem corpo...