terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sonho vazio

Queria tanto, ele queria tanto, mas queria tanto que já não sentia a dor, era o cerebro agora que padecia, deixara de ter espaço para algo mais. Apenas tinha espaço para aquele sentir, e tomava consciência que roçava a obcessão. Aquele estado de Alma . A dor de querer era lancinante. Não estava nas suas mãos, era a única certeza que tinha. E sentia-se impotente. Não lidava bem com o desconhecido, com a incerteza, com a insegurança. Na sua vida tudo tinha estado sempre muito bem arrumado. A dor essa, começava a tornar-se insuportável. E sabia que não suportava bem a dor. Era uma pessoa demasiado comum , e as pessoas comuns não são capazes de grandes feitos. Sabia que se tratava de merecer. Queria tanto merecer, mas não lidava bem com as perguntas sem resposta. O cansaço! Sim o cansaço esse cansaço de tanto esperar, de tanto desejar, o cansaço de uma procura infrutifera de tantos e tantos anos, levara-o à descrença. E agora... Não sabia. Faltavam-lhe as respostas às suas perguntas. - Talvez amanhã quando acordar eu me sinta mais positivo e este vazio desapareça- pensara - Que sonho mais estranho - pensara Guilherme - Sonhei que estava a sonhar num sonho vazio, que iria acordar desse pesadelo. E afinal não passou de um sonho! Afinal a vida de Guilherme não era o pesadelo de um sonho vazio.