terça-feira, 9 de novembro de 2010

Pressentimento

“Eu sabia Inês. E mesmo sabendo , arrisquei, acreditando. Eu sabia que ia acontecer. Então porque o fiz? Pela esperança! Porque há muito que acho que a esperança me faz viver, me alimenta, me impede de perder a inocência, a genuinidade, a força. Faz anos que me reservo, rateio, escolho, disseco de forma cirúrgica por acreditar, que o merecimento é sempre compensado, de certa forma, até é capaz de ser… Para alguns, para outros não passa de um sonho, felizes os que acreditam e alcançam.

Mas o tempo passa e os dias são todos iguais, as semanas e os meses e os anos implacáveis levam o seu rumo e o tempo passa, implacável, e o teu espaço continua a ser o mesmo, ou seja, quase inexistente. És apenas uma pequena partícula num grande universo, onde quase passas despercebido.

Que utopia! Que infantilidade!Que ingenuidade!
Para que fui eu encher o peito? Se a desilusão tráz uma dor dilacerante, inesquecivel?

O ser humano está demasiado impregnado de si, demasiado preso nesta engrenagem em que inicialmente se colocou por opção e depois nela se mantém por inércia ou por maus hábitos, ou apenas por vontade, quem sou eu para julgar?. Na maioria das vezes não passa de inércia e falsas justificações, e o tempo passa, a inocência perde-se, a capacidade de acreditar vai esmorecendo, e um dia não mais vale a pena.

E tomam-se a decisões.
Encerrar a sete chaves tudo o que nos possa fazer mal.

Errei, Inês.

Não há culpados, nem responsáveis, apenas que o que nos rodeia está programado assim.

Nada mudou, apenas que por um espaço muito pequeno de tempo enchi o peito e Alma de esperança, de energia, de sons, de cheiros, mas rapidamente…

Veio o vazio.”

Inês pensava agora que o desconhecimento é muito mais forte e confortável do que o medo do reconhecimento. Seres de hoje, seres de ontem, seres de amanhã, a história repete-se. Guilherme tinha uma vida repleta e cheia, mas com um vazio imenso, nada mudara na vida de Guilherme afinal.

- Tinhas razão Inês quando me disseste que a melhor forma de não me magoar é nunca me pôr a jeito, obrigado Amiga por me alertares para a realidade.

- De novo à minha realidade Amiga, coração trancado, mas sem dor...
- E o teu como vai?

Eternamente
Guilherme ( a tua consciência)

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