terça-feira, 23 de junho de 2009
Mi pregador de cabello -
Cansada, cansadíssima, a necessitar de um fim de semana longe, sem stress, sem telemóvel, sem nada… - O exílio! Onde é o exílio ? pensara Inês Ligou a Luana . - Olá miúda, como é vamos sair daqui para fora? Uns dias dois ou três logo se vê. Luana sugerira Paris. - Paris sim a cidade Luz, a minha cidade, a minha alma, a minha adolescência, as minhas travessuras de criança, os meus pecados de adolescente, o sonho, a paixão eterna e única de cada vez e nunca a última, enfim Paris a minha terra. Teria de ser Inês a marcar a viagem. Tarefa difícil tinha mil coisas para tratar. Para poder sair da empresa uns dias tinha que se triplicar para deixar tudo delineado. Precisava de sair dali. Não porque não estivesse ali bem, mas porque se estava a aproximar o fim de semana, talvez o único que nos últimos tempos não havia trabalho. Fim de semana de 14 de Junho . Não ficaria certamente inerte e sozinha nesse fim de semana. Não nesse ! Estava decidido iriam para Paris. Passariam dois dias sem que Inês se lembrasse de marcar o voo para as duas. Sexta feira 13 de Junho, telefone… -Olá Inês como é ? Viagem tudo marcado? - Viagem? Que viagem? Meu Deus a viagem para Paris.! Esquecera que não a podia marcar por telepatia. Que chatice! Ainda não inventaram um PC que se oriente sozinho depois de lhe dizermos o que desejamos fazer no fim de semana tal e com quem. -Esqueci Luana! Não tive tempo. Luana não queria acreditar. Os palavrões eram aos milhões e Inês reduzira-se à sua insignificância naquele emaranhado de desabafos mal expressos. -És sempre a mesma coisa Inês, não se pode contar contigo, na tua cabeça só o trabalho ocupa lugar…blá, blá, blá… Luana tinha razão. Depois da tempestade vem sempre a bonança e as duas amigas acabariam por combinar seguir para Norte já que o País todo estava no sul. Fim de semana de 14 de Junho ! Rumo ao Norte. O som estridente de uma mensagem quisera-lhe arrancar os tímpanos, lera : -Olá Inês, estou a passar o fim de semana em Paris… Saudades de Paris? Era Marta, conheceram-se um ano antes, iria fazer um ano a 14 de Junho 2008 que se haviam conhecido, duas Almas parecidas, ambíguas, nada as resumiriam melhor do que O.Montenegro – Metade - Mas não não iria para Paris, com pena , mas não iria. E pensara o quanto o destino com frequência nos joga partidas. Queria muito naquele momento estar em Paris, juntar-se a uma Amiga que não via há um ano, mas que acreditava conhecer como a palma da sua mão. Ou talvez o destino nos apresente obstáculos para que os possamos vencer. Ou quem sabe o destino não quer simplesmente saber, e nós temos é que não ser distraídos quando queremos ir para Paris. E quando o universo inteiro se move para que não se encontrem duas Almas, não vale a pena ser-se obstinado e remar contra a maré. Não remaria para Paris. Tinha lido algures que as situações nos são apresentadas vezes sem conta até que aprendamos com elas… iria progredir, esquecendo a Marta, Paris, e o ano anterior. Passaria mais um ano talvez ou uma eternidade. Que fosse, não estava escrito. Iria para Norte, não ficaria no centro, não iria para o sul nem para Paris , mas sim para norte. Três horas de viagem, calor intenso. Telefone a tocar sem parar. Carro de mulher com tudo a que tem direito : a desarrumação, as revistas pelo chão, a roupa fora do saco porque pelo caminho se troca de roupa as vezes que o capricho o exigir, a fruta fora do saco e não esquecer sobretudo : as garrafas de água, muita água… sim porque uma mulher tem que beber muita água para o abate das teimosas calorias a mais, quanto mais duas mulheres decididas a não engordar nem um grama. Chegariam já pela tarde fora. Retirar da bagagem, beijos à família, apresentações aos mais velhos, respostas às perguntas do costume, cujas respostas são sempre as mesmas, tão fácil quanto seguir a regra do… a quem muito quer saber nada se lhe diz… Noite, é noite e hoje são 13 de Junho, amanhã são 14, pensara Inês, deveria estar em Paris… pois mas não estou… e mesmo que estivesse ainda assim não quer dizer que estivesse melhor do que aqui. Aqui no Norte, onde tudo é verde, simplesmente verde, onde se trocam o Vês pelos Bês e é lindo de morrer, não é ridículo, não soa mal, é assim, simplesmente “berde”. Mas não vou ficar aqui, pode ser que a Marta me telefone amanhã dia 14 e me conte como está Paris. Queria que a noite passasse depressa, a correr, não dar conta da eternidade da noite. Vigo! Vamos a Vigo! Era isso, adorava Vigo, tinha boas recordações de Vigo. Isso, destino a Vigo . Dolce Vita 14 de Junho, noite de Vigo, gente bonita, gente feia, enfim de tudo, para que não falte nada e para todos os gostos. Queriam apenas divertir-se, uma noite de alegria e boa disposição, merecida, porque o trabalho não lhes dava tréguas, era merecida a noite. Boa musica, sim ouvindo agora com mais atenção, boa música. O corpo pedia-lhe que se mexesse, as pernas começavam a dar de si. Mas estava cansada, passara a noite anterior de pé, dançando. Duas noites seguidas era dose de cavalo mesmo para Inês que mais parecia estar ligada a uma pilha interminável desde que nascera. Tanta gente, tantas caras, tantos olhares, olhos nos olhos, wc onde é? Sim a li ao fundo, que calor… desde casaco, despe cachecol, despe, despe. Dança, dança, esquece . … Que bom! Gente bonita em todo lado, musica … Um néctar para os meus ouvidos, seja ela qual for, nunca percebi esta minha adoração pela música eu canto mal que me farto. Desafino que é um disparate, talvez goste de musica porque ela me desassossega as pernas, e danço, danço, adoro dançar, tenho a musica e o ritmo no corpo, qualquer ritmo desde que dance. Um olhar, e outro e ainda outro, e cruzam-se muitos olhares, estou tonta, sinto-me num carrocel. Estou radiante. Bem comigo. Um olhar. Um olhar? Que olhos!!! Olho de novo, não são os da Marta, nem da Luana , mas são uns olhos que conseguem parar os meus. E olho. E vejo. Volto a olhar e a ver. Vejo duplamente, e dois pares de olhos transformam-se em quatro pares, e de repente sou abalroada por alguém insensível a tantos olhares, alguém que não merece um par de olhos daqueles porque não tem capacidade para os sentir, e perco de vista os olhos de quem me viu. Deixei de ver. Por uns segundos apenas porque imediatamente, os olhos prendem-se aos meus, e viajo , embarco numa dança inebriante levada por um par de olhos que não deixam os meus pestanejar. O calor aumenta, solto o cabelo, a mola cai no chão e eu vou atrás dela, não é pela falta que faz no cabelo, mas é importante a mola, é a minha mola, baixo-me e só vejo pés, muitos pés mas nenhuma mola. - Que sucede? Quieres ayuda? -Hein? Ah sim a minha mola respondi eu aos olhos, perdi a minha m.o.l.a - Pregador? És tu pregador? Os olhos olhavam para mim e ensinavam-se espanhol, e eu bebia tudo o que eles me ensinavam, mas não me diziam onde estava a minha mola. Neste desassossego de mola para frente, mola para trás, os amigos dos olhos e mais os olhos e outros tantos pares de olhos começaram numa busca incessante á procura de mi pregador del cabello . - La solucion será ficar asté el final e procura-los después! Pois que remédio senão fazer isso, que chatice, iríamos ficar todos até ao final e com os olhos procurar mi pregador de cabello. E ficamos! Mas el pregador de cabello, nem vê-lo. Os olhos continuaram a olhar os meus e a preocupar-se com mi pregador. Ambre tengo ambre. Fomos todos os olhos comer. Comi que me fartei, houve quem bebesse até fartar. E lo pregador… nadie. Graças a mi pregador de cabello qué vi uns olhos que não desgrudaram dos meus e por uma noite desgrudei de tanta coisa que não fazia sentido por não ser consistente. Tal como a Marta sou de ideias fixas e talvez demasiado controlada. Na verdade sou apenas “metade”. O sol raiava quando chegamos ao destino. Ao abrir a mala arranhei os dedos en … Mi pregador de cabello. 14 de Junho 2009 Vigo um ano depois… Continua… " Metade " O.Montenegro You tube link abaixo
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