terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Hoje fiz anos! Quantos? Não se faz uma pergunta dessas a uma Senhora!

Inês estava a pensar no quanto não lhe apetecia fazer anos, mas por muito que se esforçasse esta era uma realidade que mesmo não querendo, tinha de aceitar. Mais um ano a pedir a todos os santinhos para ser cobaia de um qualquer laboratório farmacêutico na corrida para a longevidade. Esse totoloto não lhe calhava a ela… Hoje todos, ou quase todos os homens da sua vida lhe tinham telefonado, e curiosamente nem todos se lembraram que ela fazia anos. - Uf, ainda bem. Pensara. Homens? Mas Inês tinha tido vários homens na sua vida? Tinha! Claro! E porque não? Pai, Avô, Irmão, Filho, Namorado, Amigo, Marido, Marido… - Ups estava a repetir-se. Realmente a idade é um posto, e as pessoas somam nas nossas vidas à mesma velocidade dos aniversários. Umas passam outras ficam. As que passam e não permanecem é porque não fazem falta ou não tinham lugar de relevo. Só faz falta quem cá está, já dizia a minha avó. Que chatice fazer anos e não querer, mas que aborrecimento quem nos liga não se lembrar… Vá-se lá compreender a cabeça das mulheres… De facto alguém disse que as mulheres nunca dizem sim, só dizem talvez e isso quer dizer sim, e dizem não e isso quer dizer mesmo não. Mas a verdade é que coincidência ou não os homens da sua vida tinham-lhe ligado todos hoje, pelo menos os importantes. Tinha havido um ou dois telefonema de “cromos” mas esses também eram necessários… Como se costuma dizer só se aprecia o calor se experimentarmos o frio… - Medes quanto disse Inês ? - 1,95 ! Respondera Tomás. Engraçada aquela musicalidade na voz , pouco usual aos ouvidos de Inês. Sim, era curioso o tom e a musicalidade , não estava habituada… Gostava muito de música. Head phones para a frente e para trás, os MP3 perdidos então, eram uma sinfonia, outros que levavam uns valentes puxões quando ficavam presos a alguém na rua, ou se enrolavam na roupa… Inês mais parecia de facto uma Bridget Jones à Portuguesa. Também queres saber a altura? Perguntara Tomás. - A altura já disseste um metro e noventa e cinco, repetiu Inês. - Deixa lá não percebeste. Atalhou Tomás, soltando uma breve gargalhada. Inês percebera de imediato que mais uma vez o bicho homem, não se ouve, não ouve a mulher, e nesta conversa de surdos, ela ia desistir de lhe dizer que ele tinha perguntado pela A.L.T.U.R.A, que se queria brincar teria de ser ainda mais subtil, e que subestimar o bicho mulher nestas conversas desconversadas de quem brinca com as palavras, ou se brinca mesmo a sério ou então não vale a pena fazer de conta. Porque o QI elevado não é apenas atributo masculino, mas sim dos dois sexos. Mas atenção Senhores porque a vantagem é feminina dado que para além do QI equiparado elas ganham vantagem na subtileza da dissimulação. Nada mais bem conseguido do que uma mulher a fingir não perceber, e um homem sem dúvidas de que ela não percebeu mesmo. Isto é : quando ele a subestima. Está tramado. Deu para entender o labirinto no pensamento de Inês, e a nuvem de fumo que trespassara na mente de Tomás ? Talvez sim, talvez não. Mas nesta coisa de driblarem a bola, os homens ou são muito bons ou então mais vale estarem quietos porque meios termos não há. Ou se é Ronaldo ou então Reinaldos há muitos. Embora temos que reconhecer que os Reinaldos também fazem falta para as Reinaldinhas, e isso é o que abunda, tal como os Reinaldos. Bom o dia ainda não tinha acabado, Inês sentia-se agora inspirada para continuar a história há muito começada. Não havia um dia que não servisse de inspiração para a sua história, e de uma coisa tinha a certeza se não fosse para ser publicado, seria certamente porque era uma história de vida bem vivida e com muita coisa para contar, nem que fosse aos pássaros. Um destes dias falaria de pássaros.