segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Hoje azedei, bebi vinagre… e Apetecia-me continuar a escrever a introdução :
Hoje apetecia-lhe escrever, mais do que comer morangos sem chantilly , porque gostava de tudo e de qualquer coisa ao natural, mais do que deglutir lentamente uma tábua de queijos de várias regiões e Países acompanhada de um vinho tinto reserva de uma qualquer região demarcada deste lindo País à beira mar plantado, mais do que ir ali ao lado comer um bife cheio de um qualquer molho branco, verde, ou com pimenta, que depois a deixaria cheia de problemas de consciência por uns gramas a mais, apetecia-lhe escrever…
E não era de politica que lhe apetecia escrever ,porque a Politica é um tédio que os pseudo-intelectuais discutem como quem discute “o sexo dos anjos” isto é, falam muito e ficamos sempre a saber o mesmo, ou seja nada, e de palpites está o mundo cheio...
- Nesta sociedade decadente e empobrecida há certamente algo de mais útil para nos preocuparmos - Pensara -
Mais ainda do que falar na queda da bolsa a nível mundial, ou na consequente descida das acções, porque não as tinha, ainda muito menos dissertar sobre os motivos e os porquês desta crise mundial, que só afecta os ricos porque os pobres sempre foram pobres e são-no cada vez mais, por isso mais um furo menos um furo no cinto, a malta até já está habituada…
E apetecia-lhe tudo menos pregar “postas de pescada” sobre a crise financeira no mundo, deixaria isso para as centenas de economista com centenas de divergentes opiniões em centenas de jornais diários, porque é “in” analisar a crise económica , neste País de Doutores iletrado financeiramente, pois os Senhores Doutores afinal de contas com tanta prosa não chegam a conclusão nenhuma sobre a origem desta crise financeira, e pior ainda nada sabem do futuro e das suas consequências, mas perguntava-se se este pânico instalado era mesmo real ou provocado, não que ela tivesse acções debaixo do colchão ou noutro lado qualquer , se perto dela a pobreza de bens e a pobreza de espírito e de alma era tão gritante e tão mais importante, não queria saber se o dinheiro iria ou não acabar e se estava na altura de investir em acções ou em imóveis ou em ouro, se um Director executivo ganha quatro a cinco milhões por ano , e se o merece por fazer ganhar bilhões ao Banco que representa.
Só sabia que tudo tem o seu tempo na vida que o mundo está cheio de gente que ainda não chegou ao fundo do poço para valorizar o que é de facto valorizável, como a saúde, o Amor dos Pais e dos Irmãos , a amizade dos nossos amigos e as pequenas coisas , como olhar e ver mesmo um céu azul, pôr os pés nus na relva e senti-la, cheirar uma rosa profundamente, ouvir o bater das asas da borboleta que passou e contar as cores de que é feita, segui-la devagar e ficar ali perto a observar o quanto a natureza é bela, o quanto a natureza é grandiosa.
Tinha passado metade da vida ao lado das pequenas coisas boas, sempre consciente, mas ao lado na mesma, presa ao cumprimento de objectivos, ou projectos de vida querendo a gloria e o reconhecimento , mas que lhe fazia perder o equilíbrio necessário para ser feliz, não apenas em pequenos e escassos momentos mas vinte e quatro horas por dia.
Apetecia-lhe mais falar sobre o sentimento que move o mundo porque o mundo só se move com Paixão, tenha ela que roupagem tiver, porque os grandes e os pequenos projectos só se fazem com Paixão, porque sem ela nada sai perfeito, e só com ela se constrói o futuro, os empreendimentos, as relações, a amizade, a vida. Porque sem Paixão nada se completa e os seres incompletos nada constroem se não lhe conhecer o sabor nem a textura.
Porque tudo começa pela Paixão. A Paixão são as fundações da construcção e o Amor a massa que a solidifica e a sustenta. A paixão, o Amor, dois sentimentos que se complementam, ou não... e a obra fica inacabada ou incompleta quando assim acontece, e acontece algumas vezes...
Continua…